Em um dos mercados mais relevantes do turismo internacional, o segmento de aventura, o Brasil vem apresentando expressivo número de visitantes a cada ano e comemora excelentes resultados, que se devem tanto à diversidade de recursos naturais, como à melhoria contínua dos serviços oferecidos.  

O Ministério do Turismo calcula que cerca de 7 milhões de turistas estrangeiros estiveram em nosso País em 2018. Apenas no primeiro semestre do ano, esses visitantes deixaram no País mais de US$ 3,2 bilhões. Em 2017, o setor foi responsável por 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB), com aporte de US$ 152,2 bilhões na economia brasileira.

No turismo doméstico, mais de 200 milhões de viagens foram realizadas, porém este número envolve apenas cerca de 60 milhões de pessoas. Para ampliar o volume, o Governo prevê o aumento da oferta de voos e rotas regionais e o estímulo à regionalização, grande potencial para ser explorado.

A indústria do turismo impacta mais de 50 segmentos econômicos, gerando emprego e renda, atualmente, para cerca de 7 milhões de pessoas. As principais geradoras de empregos diretos são as atividades relacionadas à hotelaria, agências de turismo, companhias aéreas, demais tipos de transportes de passageiros e turistas, além de restaurantes e empreendimentos de lazer.

Na base desses resultados percebe-se a valiosa contribuição das normas técnicas, cuja importância é reconhecida por órgãos de Governo. Em 2008, uma parceria  entre a ABNT e o Ministério do Turismo garantiu às empresas do setor a gratuidade na consulta de normas técnicas. Na ocasião, a ministra Marta Suplicy justificou a iniciativa afirmando que “em todo o mundo, a prática do turismo de aventura, por exemplo, simplesmente não existe sem Normalização”.  

Para orgulho de nosso País, a maioria das Normas ISO publicadas até o momento para o turismo de aventura internacional teve como base, inicialmente, as Normas Brasileiras elaboradas na ABNT, em trabalho liderado pela Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta). O Brasil, agora com Normas Internacionais, pode ampliar seu mercado de atuação, com referências técnicas e de segurança para o turismo de natureza.

Além das três Normas transversais ISO de Turismo de Aventura publicadas, o Brasil também possui as onze Normas ISO de Mergulho Recreativo, e em breve mais duas serão publicadas. O estímulo deste trabalho de normalização fez com que os empresários do setor, líderes (condutores) de turismo de aventura, gestores de parques naturais, gestores públicos, entre outras partes interessadas, se interessassem em ampliar as boas práticas das atividades, chegando agora a 38 Normas Brasileiras no segmento. Com isso, o Brasil tem sido considerado referência em segurança das atividades de ecoturismo e turismo de aventura, com ações replicadas de forma similar em diversos países.

Convênios assinados com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) - entidade privada sem fins lucrativos, criado para dar apoio aos pequenos negócios de todo o país -  ajudaram na disseminação das normas técnicas e no suporte à atuação de nossos especialistas no ISO/TC 228 - Tourism and related services. Por seu envolvimento na Normalização, utilizando metodologia que compreende desde a identificação de demandas até a capacitação na aplicação e o acesso com subsídio de custo ou gratuidade, o Sebrae recebeu o Prêmio ISO, durante a 36ª Assembleia Geral, realizada em São Petersburgo, na Rússia, em 2013.

Outro tema que tem sido fundamental nas discussões na ISO é a sustentabilidade. A mais recente norma publicada é de boas práticas para o turismo de aventura sustentável, atuando de forma ampla, com o olhar no futuro, para permear a manutenção tanto do meio ambiente natural visitado, reduzindo os impactos potenciais negativos, além de manter as comunidades locais envolvidas, gerando emprego e renda, como também fortalecendo a experiência do turista no destino, com valorização da cultura, do povo e seus costumes locais.

Vale destacar também a futura Norma ISO a ser publicada no Brasil, sobre Centro de Informações Turísticas (ISO 14785), que poderá ser utilizada por diversos serviços de atendimento ao turista, para facilitar o acesso às informações dos destinos turísticos brasileiros.

Com a utilização das Normas Internacionais, a indústria do turismo no Brasil tem ganho de valor para os serviços do segmento de aventura. Houve sensível redução do número de acidentes e aumentou a percepção da segurança pelo turista, principalmente, na prevenção de incidentes, em consequência da preparação da equipe envolvida na operação, muitas vezes em regiões inóspitas do País.

A normalização também impacta fornecedores locais e os envolvidos em atendimento a emergências. Há o Plano de Atendimento a Emergência, que faz parte do sistema de gestão da segurança e foi um dos principais ganhos, porque aumentou a cultura de sua implementação, principalmente pelas pequenas empresas em todo o território nacional, que representam 98% dos negócios que atuam com esse segmento de turismo.

 O turista, quando percebe que realizará uma atividade de turismo de aventura com maior segurança, profissionais mais qualificados e equipamentos com manutenção constante, ele investe mais e pode pagar mais por isso, pois reconhece o valor agregado ao produto de turismo oferecido.

No Brasil há empresas de diversos tipos e portes que utilizam as normas técnicas. Entre elas, o Campo dos Sonhos/Parque dos Sonhos implementou um sistema integrado, envolvendo tanto a sustentabilidade dos meios de hospedagem, como a segurança do turismo de aventura, já que oferecem ambos os serviços em suas empresas. Hoje essas empresas são consideradas referência no Brasil, inclusive para o tema de acessibilidade no turismo, atendendo pessoas deficientes ou com mobilidade reduzida, crianças, adolescentes, famílias e pessoas idosas.

Também é exemplo a empresa Nas Alturas, da Chapada Diamantina, na Bahia, que atua com passeios como caminhadas de longo curso em regiões de atrativos naturais, que são únicos e atraem turistas do mundo todo. Desde o início do Programa Aventura Segura, ação do Ministério do Turismo com apoio do Sebrae Nacional e ABNT, a empresa implementa as normas de segurança e dissemina as boas práticas entre as demais organizações do destino. Aqui temos um caso de impressionante comprometimento porque, além de estimular a contratação de pessoas moradoras da região, houve forte investimento na qualificação e na promoção do turismo, de forma integrada e sustentável.

As normas técnicas, decididamente, mudaram para melhor a forma de promover o turismo no Brasil.